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Samba Internet

Segunda-feira 15h28
08 de Setembro de 2008

A Força do Interior
O provedor de internet Samba fatura 12 milhões
de reais por ano em cidades com menos de 30.000 habitantes.


"Pequenas cidades brasileiras formam um mercado vigoroso, mas praticamente sem concorrência em diversos setores"
Carlos Eduardo Sedeh

Por Carla Aranha
EXAME PME

Marapanim é uma típica cidade do interior do Pará -- pequena e isolada. Se quiserem ir ao cinema, seus habitantes precisam vencer os 140 quilômetros que os separam da capital, Belém. Até pouco tempo atrás, contavam-se nos dedos os moradores com acesso à internet entre os 25 000 habitantes. Hoje, são cerca de 200 -- a maioria é usuária do Samba, provedor criado há dois anos em São Paulo, que está crescendo rapidamente com a estratégia de investir apenas em cidades brasileiras com menos de 30 000 pessoas. Com clientes espalhados em 3 000 pequenas cidades, como Marapanim, o Samba deve ter em 2006 faturamento de 12 milhões de reais. "As pequenas cidades brasileiras formam um mercado interessantíssimo, onde não há concorrentes", diz Carlos Eduardo Sedeh, de 28 anos, fundador da empresa.

Sedeh e seu sócio, André Fernandes, de 31 anos, sabiam que cidades com poucos usuários não eram prioridade para os grandes provedores, que precisam da escala proporcionada pelas grandes cidades para garantir boas margens de lucro. Cerca de 80% dos internautas brasileiros estão em 350 municípios com mais de 100 000 habitantes -- o equivalente a quatro Marapanim. As 4 000 pequenas cidades brasileiras respondem por apenas 7% do mercado. Onde os grandes provedores viram um problema, Sedeh e Fernandes enxergaram um campo para crescer.

O que há além das metrópoles
As oportunidades que o provedor Samba enxergou fora dos grandes centros

Distância da concorrência
Cerca de 80% dos usuários de internet no Brasil estão concentrados em 350 cidades com mais de 100 000 habitantes. Existem 4 000 municípios aonde os grandes provedores não chegam

Crescimento fora dos grandes centros
A economia deve crescer 3,5% neste ano. Enquanto isso, um estado como o Amazonas cresceu 11% só no primeiro trimestre. Em Pernambuco, as vendas do comércio aumentaram 16%

Acesso à internet em processo de expansão
O número de domicílios brasileiros com computador e acesso à internet cresceu 6,7% entre 2003 e 2005. Em estados como Pará, Amazonas, Roraima e Acre, essa expansão está na casa dos 50%

Fontes: empresa e IBGE

Sedeh e Fernandes estão trilhando um caminho desbravado por grandes empresas que, em seus primórdios, também viram no interior do país uma tremenda oportunidade. É o caso do Magazine Luiza, que, por sua vez, seguiu os passos da rede americana Wal-Mart. Sob o comando do lendário Sam Walton, a Wal-Mart tornou-se a maior empresa varejista do mundo a partir da força consumidora da classe média americana fora das grandes metrópoles.

Uma rápida olhada nas estatísticas mostra como o interior pode ser um terreno fértil em oportunidades para pequenas e médias empresas de diversos setores. Enquanto o produto interno bruto do país não deve aumentar mais de 3,5% neste ano, estados como o Amazonas tiveram crescimento econômico de 11% só nos primeiros três meses do ano, em comparação com igual período do ano passado. Em Pernambuco, as vendas do comércio aumentaram 16% no primeiro trimestre deste ano.

No caso da internet, o número de domicílios onde há computador e acesso à rede aumentou perto de 50% entre 2003 e 2005 em estados como Pará, Amazonas e Roraima. "Os grandes centros estão ficando saturados", diz o economista Sérgio Vale, da consultoria MB Associados. "Ao mesmo tempo, a expansão da economia em outras regiões oferece boas oportunidades aos pequenos e médios empresários." São esses mercados que devem garantir ao Samba crescimento projetado entre 20% e 40% para o próximo ano.

Para chegar aonde os grandes provedores não chegam, a empresa apóia-se numa estrutura enxuta e preços competitivos. Um dos principais obstáculos para levar a internet a cidades muito pequenas é o custo de conexão com o provedor -- o número de usuários é pequeno para manter uma estrutura local, e as tarifas de longa distância para conexão discada afugentam a clientela. Por isso, o Samba fez um acordo com a Embratel para que seus clientes acessem a internet por uma linha 0800 com tarifas mais econômicas que as de outros provedores.

Os dois sócios do Samba conheceram-se quando Sedeh resolveu entrar para valer no mercado de internet e estava em busca de alguém com boas idéias de marketing. Sedeh vinha da experiência malsucedida do provedor Super 11, que havia fechado as portas em menos de um ano pressionado por uma estrutura grande demais, com custos altos e uma concorrência feroz. "Decidi que jamais cometeria os mesmos erros", diz Sedeh. Ele encontrou em André Fernandes a visão de marketing que faltava. Juntos, os dois pensam constantemente no lançamento de novos produtos. Um deles é fazer deslanchar um plano de internet pré-paga recém-criado em que o usuário compra determinada quantidade de minutos mensais. No próximo ano, o provedor também passará a oferecer aos clientes acesso à rede em banda larga. Com ações como essa, o Samba espera crescer cerca de 60% até 2008.


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